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sem título

"Serei eu aquilo que pinto…ou pinto aquilo que sou?

 

Dúvida que sempre me assombrou, (…) O caminho que trilho na pintura leva-me a “colar” o que sou, quem sou na tela, num processo de autoconhecimento, tanto no auto-retrato como no retrato de outras pessoas.
Este processo de “tendências esquizofrénicas” é libertador, o auto-retrato é a fuga que carrega os meus medos, ansiedades, desejos. 
É o ponto único onde começo e acabo." 

 

"O auto-retrato não é nunca apenas a imagem de uma espelho, o “eu” reflectido é activamente processado, clarificado, realçado, deformado, construído. Construído porquê? Porque o artista constrói as proporções humanos á sua vontade, constrói as expressões, movimentações e inclinações. O artista despe-se por completo na tela que pinta. Despe-se de uma forma mais intimista no universo esquizofrénico do auto-retrato. Pinta-se se a si próprio como quer ser visto, como se vê, procurando o fim último da distinção face aos outros."

 

"Os auto-retratos que pinto pretendem de certa forma conservar afectos. O acto de retratar surge desta feita como forma de suspender o tempo. Rostos que não se repetem porque os sentimentos que o pintaram viajaram de mim para a tela, numa viagem de um só sentido."

" ausentes de título propositadamente para que a palavra não influencie a interpretação do observador, as obras assim estão despojada de conotações, nuas, realçando o poder das expressões, das cores, forças, delas só por si só."

 Maisa Champalimaud 2009

 

"O retrato é a personificação da inquietação nervosa enredada no destino,
o espelho o instrumento de introspecção e no atelier surge a mistificação clara e o confronto lógico da realidade que o artista procura e a realidade que pensa desconhecer."

 

"A pintura do retrato surge desta forma como uma procura incessante de Eu’s que se digladiam num confronto de personalidades, surgindo amiúde um emaranhado intra-pessoal complexo e multifacetado de sentimentos e experiências que cada um e todos experimentaram. "
 
"Quando pinto, pinto sentimentos que a mim e somente a mim pertencem. Não pretendo absorver os sentimentos do espectador para a órbita do retrato. No entanto, quando a pintura se manifesta de outra forma que não pelo auto-retrato, a personalidade do que pinto está fortemente impregnada do meu mais inconsciente Eu."

"Um Ego que de tão forte se impõe.” 

 Maisa Champalimaud 2011

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